domingo, 20 de novembro de 2022

Liberdade de expressão

 


Recebe o nome de liberdade de expressão a garantia assegurada a qualquer indivíduo de se manifestar, buscar e receber ideias e informações de todos os tipos, com ou sem a intervenção de terceiros, por meio de linguagens oral, escrita, artística ou qualquer outro meio de comunicação. O princípio da liberdade de expressão deve ser protegido pela constituição de uma democracia, impedindo os ramos legislativo e executivo do governo de impor a censura.

Um debate livre e aberto sobre as questões nacionais fundamentais gera considerações positivas sobre a melhor estratégia a ser adotada na solução dos problemas daquela comunidade. Por isso, é fundamental a existência da democracia e de uma sociedade civil educada e bem informada cujo acesso à informação permita que esta participe da vida pública, fortalecendo as instituições públicas com sua influência. É aí que entra a liberdade de expressão, pois esta proporciona à coletividade uma gama variada de ideias, dados e opiniões livres de censura, que podem ser avaliados, e possivelmente, abraçados. Para um povo livre governar a si mesmo, deve ser livre para se exprimir, aberta, pública e repetidamente; de forma oral ou escrita.

É importante salientar que sempre que esta garantia sofrer determinada restrição, esta deve ser caracterizada em parâmetros claros, estritos e inseridos dentro de uma conjuntura definida. A restrição legítima é bem diferente de abuso de poder e ilegalidade. Além disso, a liberdade de expressão não é um direito absoluto, o que significa que a manifestação pode descambar para a calúnia, difamação ou injúria, o que pode originar um processo ou resposta em reação à declaração feita.

A constituição brasileira assegura aos cidadãos um amplo acesso à informação a partir de diferentes e variadas fontes, dentro de um ambiente democrático, que garanta as liberdades de expressão e de imprensa. Apesar de um bom repertório jurídico, acumulado desde a instauração da Nova República, em 1984, a legislação ainda não responde aos desafios políticos e sociais impostos e pela nova realidade social brasileira e, tampouco, atende à inquestionável revolução tecnológica pela qual passou e passa o setor.

Muitos movimentos organizados para defender seus próprios direitos ainda são reprimidos. Na atual conjuntura, a liberdade de expressão não se constitui em um direito pleno que pode ser exercido por todos. Há ainda outro problema em relação ao campo da mídia, (internet, TV, etc.), no qual o país ainda enfrenta defasagem em seu marco regulatório.

Fonte: https://www.infoescola.com/direito/liberdade-de-expressao/

 

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Amizade Social



Esta é uma interpelante expressão evocada na Carta Encíclica Fratelli Tutti – sobre a fraternidade e a amizade social, do Papa Francisco, em referência à busca por dinâmicas que superem os sombrios sinais de um “mundo fechado”. Não é exagero nem pessimismo: os fechamentos da civilização contemporânea mostram que a humanidade está na contramão de progressos alcançados no campo tecnológico-científico. Torna-se difícil encontrar razões para a atual configuração política, social, econômica e cultural do planeta, com a história dando sinais de regressão. Conflitos anacrônicos – com o surgimento de nacionalismos fechados, ressentidos e agressivos – ressurgem em diferentes lugares. Medidas que buscam superar determinadas ideologias fazem surgir outras igualmente perigosas. Diante desses e de tantos outros problemas, os cidadãos estão desafiados: é necessária lucidez mínima para ir além de interesses político-partidários enraizados em determinadas ideologias. Vencer, assim, os limites de fechamentos obscurantistas e os interesses mercadológicos egoístas – que levam poucos ao enriquecimento enquanto alimentam a exclusão social de muitos, com cenários de desolação agravados pela pandemia da COVID-19. Torna-se inadiável um esforço de todos para que a sociedade adote o paradigma da fraternidade social, por um permanente e fecundo investimento na amizade social.

O Papa Francisco lembra que o bem deve ser conquistado a cada dia. Não é possível, pois, contentar-se com o que já se obteve no passado – “muitos dos nossos irmãos ainda sofrem situações de injustiça que nos interpelam a todos”. Acatar a interpelação que vem dos cenários de injustiças, violências e desigualdades sociais é contribuir na indispensável e urgente dinâmica de “abrir-se ao mundo”, mas de modo bem diferente da atual concepção de um modelo econômico questionável. No âmbito da economia e das finanças, há uma equivocada compreensão a respeito do que significa “abrir-se ao mundo”. Essa expressão, no contexto dos interesses econômicos, muitas vezes se restringe à busca por novos mercados globalizados, visando acúmulo de poder. Esse exclusivo compromisso com o lucro forma um tipo de cultura que acentua divisões entre nações e pessoas. Prejudica avanços indispensáveis na promoção da amizade social, sem a qual não se alcançará a paz no mundo.

Abrir-se ao mundo é tarefa

Cada pessoa deve buscar superar a lógica do mercado que reduz o ser humano à condição de consumidor ou espectador. A humanidade precisa reagir a esse “globalismo” que tenta estabelecer uma cultura dominante, com a valorização da identidade dos mais fortes e a dissolução da identidade dos mais frágeis – um genocídio cultural. Lamentável é a incapacidade da política para promover essa reação, pois, cada vez mais, se submete aos poderes econômicos transnacionais. Sob o controle desses poderes, a política torna-se instrumento de interesses que propiciam a negociação de tudo, sem escrúpulos. Essa falta de escrúpulos não raramente tem sido camuflada pela defesa de alguns valores, sacrificando tantos outros que são inegociáveis – determinantes para reequilibrar a civilização contemporânea.

“Abrir-se ao mundo” na busca pela consolidação da amizade social é tarefa que exige amadurecimento nos campos antropológico-cultural e da espiritualidade. O momento atual, consideradas as escaladas de retrocessos, precisa de líderes e do envolvimento cidadão para que se torne possível encontrar novas respostas e configurar novos cenários. Nesse processo, uma situação merece urgente tratamento: os direitos humanos não são suficientemente universais, não são iguais para todos, e o respeito a esses direitos é condição básica para o progresso socioeconômico da humanidade. O Papa Francisco sublinha que o respeito à dignidade e aos direitos humanos fortalece a criatividade e a audácia, possibilitando que mais pessoas se tornem, efetivamente, protagonistas na promoção do bem comum. Assim, a cidadania está desafiada a se fortalecer construindo um mundo que seja para todos. Deve ir além de paixões, alimentadas por diferentes ideologias, para efetivar uma agenda de diálogo, reflexões e entendimentos. Ao invés de antecipar discussões partidárias ou idolatrar determinados nomes, o caminho deveria ser o investimento nas práticas culturais e sociopolíticas capazes de superar o atual “mundo fechado”, isto é, injusto e desigual.

É tempo de esperança

É hora de inaugurar, indicar e trilhar percursos de esperança – a esperança que está enraizada profundamente no coração humano. Seja alimentada a sede por um tempo novo, alicerçado na grandeza imbatível da amizade social, fecundada pela vitalidade única da fé. Um caminho para deixar o coração repleto de alegria fraterna e emoldurar os sonhos da humanidade a partir do compromisso com o bem comum – cada pessoa vivendo e trabalhando não somente para si, mas para o bem de todos os irmãos e irmãs.

Fontes://formacao.cancaonova.com/atualidade/sociedade/abrir-se-ao-mundo/

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Fé, esperança e caridade: não há virtudes maiores

 


Em muitos lugares os cristãos são reconhecidos pelos símbolos que portam: um crucifixo no pescoço, uma imagem de Nossa Senhora na carteira, um sinal da cruz quando passado por uma Igreja. Porém, há algo indispensável que todo católico precisa carregar consigo para merecer o nome de Alter Christus, outro Cristo. E essa herança o ladrão terreno não rouba, nem pode ser perdida num momento de distração: são as virtudes teologais, fé esperança e caridade.

 

O que são elas e por que tão importantes na vida do católico?

 

As virtudes teologais: condição sem a qual não há outras

As virtudes teologais são assim chamadas por descreverem nossa relação para com Deus. Como o fundamento da vida religiosa é nossa atitude para com o divino, estas virtudes se revestem de especial brilho. Além disso, elas também são o fundamento das demais virtudes: não se pode ser humilde, por exemplo, sem crer que há algo maior que si mesmo. Essas três virtudes nos são dadas na hora do batismo, quando recebemos das águas abençoadas a graça santificante e a vida de Deus em nosso coração. Elas se tornam o alicerce que nos fará receber também os demais dons e favores divinos, como os sacramentos.

 

Para aqueles que ainda não foram batizados, há como que “protótipos” de fé, esperança e caridade na alma, moldes que aguardam a forma santa do Espírito Santo para que realmente se tornem realidades. Já para os católicos, quando pecam gravemente contra os dez mandamentos, estas virtudes são roubadas pelo inimigo de nossa salvação, ficando apenas uma pontinha de fé e esperança, que é onde atuará a graça do perdão. Porém, como não as temos em plenitude, não podemos receber os sacramentos que exigem que estejamos em ordem com Deus, como a comunhão.

 

Fé: crer sem ver

A carta aos Hebreus nos comunica, no seu capítulo 11, a definição santa do que é a fé: “é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê” e “sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que Ele existe e que recompensa os que o procuram” (Hb 11, 1; 6). Assim, percebemos que a fé nos possibilita entrar em contato com o sobrenatural, com a realidade que nossos olhos nos não alcançam. Sem a fé somos como morcegos: cegos para o sol, mesmo que ele esteja tão evidentemente presente.

 

Tendo sabido que a fé é o fundamento da vida cristã, como fazê-la crescer? Pois, como todas as coisas, a fé também cresce e diminui. Basta, para isso, que nós a alimentemos. É consumindo bons materiais, como livros da vida de santos, da doutrina cristã, além de ótimas conversas e colóquios, que a alimentaremos. Do contrário, se a esquecemos, se frequentamos muitos lugares de pessoas sem fé ou se nossa alegria consiste no pecado sem limites, nossa fé via minguando, até uma hora que desaparece.

 

Esperança: sem a qual seríamos cegos guiando outros cegos

Se a fé nos permite que nos acheguemos perto de Deus, das realidades sobrenaturais, é a esperança que nos permite ficar ali. De nada nos serviria saber da existência do divino se não tivéssemos esperança de que um dia estaremos com Ele.

 

Esta esperança se revela em algumas etapas: a primeira é o medo da punição e o desejo do prêmio. É ela que nos faz temer o inferno e a almejar o Céu, o que, num primeiro momento, acaba sendo o motor inicial da prática das virtudes. Se o maratonista se prepara com antecedência de seis meses para percorrer uma prova árdua para conquistar o prêmio, por que o cristão também não poderia ter a mesma motivação? Entretanto, em um segundo momento, quando a fé e a esperança estão mais consolidadas e o coração mais em paz, tranquilizado contra a agitação do mundo e do mal, a esperança se volta não para o objetivo, mas para a essência. Não esperemos mais apenas escapar do inferno e alcançar o Céu, mas sim estar com Deus. É esta a esperança perfeita, a mesma que canta Santa Teresa d’Ávila: “Ó meu Deus, mesmo que não houvesse inferno, eu te respeitaria; e mesmo que não houvesse Céu, eu te amaria”. É o auge da virtude da esperança.

 

Para crescermos nela, precisamos também alimentá-la, como fazemos com a fé. Escritos de misericórdia são uns dos mais indicados para os iniciantes na vida cristã, como conversões e milagres. Pois, se até mesmo um Saulo, perseguidor ferrenho da religião verdadeira, recebeu de Deus a graça e se tornou um são Paulo, porque não pode acontecer o mesmo comigo?

 

A caridade é a única que restará

Por fim, o amor, a caridade. São Paulo canta hinos elegantes a ela em suas cartas, e afirma que ela será a única das virtudes teologais com a qual entraremos no Céu, pois a Fé se transforma em Visão e a Esperança em Realização, mas o amor… o amor é eterno! São João vai mais longe: ele define o próprio Deus! Deus Caritas est, e isso nos basta para compreendermos a profundidade da virtude da caridade.

 

Ao contrário do que pensamos, porém, a caridade exige uma purificação constante. Nela não pode permanecer o que é humano. Começamos por amar aqueles que nos são próximos por conveniência, por segurança, por interesse; mas devemos evoluir nosso amor: é o mandamento de Cristo, “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”. Em seu evangelho, Nosso Senhor brada: “Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber, que recompensa tereis? Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados”. (Lc 6, 30-36).

 

Fonte: https://www.arautos.org/secoes/artigos/doutrina/catecismo/saber-cristao-as-virtudes-teologais-304675

 

O que é Política?

 


A palavra “política” faz menção a tudo que está vinculado ao Estado e sua administração, mas definições modernas defendem que política é meramente o exercício do poder.

A política é o nome que se dá para a capacidade do ser humano de criar diretrizes com o objetivo de organizar seu modo de vida. Essa palavra também faz menção a tudo que está vinculado ao Estado, ao governo e à administração pública com o objetivo final de administrar o patrimônio público e promover o bem público, isto é, o bem de todos.

Para o ato de governar, uma característica fundamental é a capacidade de mediar conflitos entre as pessoas. Sendo assim, o político deve conduzir sua gestão de forma a mediar os conflitos existentes na sociedade de forma a encontrar uma saída que seja boa para todos.

Surgimento da política

O surgimento da política remonta à Grécia Antiga, e um dos grandes articuladores políticos desse período foi Aristóteles, que falava que a política era um mecanismo que tinha como fim último a felicidade dos homens. Uma definição mais moderna de política trabalha com a ideia de que a política é meramente o ato de buscar exercer o poder dentro de uma nação.

Acesse também: Entenda a diferença entre Estado, nação e governo

O que são políticas públicas?

Políticas públicas são as ações realizadas pelo governo. Sendo assim, as ações, programas ou decisões tomadas por um governo independente, se na esfera municipal, estadual ou federal, são considerados políticas públicas. Estas, por sua vez, são realizadas com o objetivo de trazer melhorias para a vida dos cidadãos.

As políticas públicas podem ser realizadas nas diferentes áreas de atuação dos governos, como habitação, saúde, educação, saneamento, transporte etc. Além disso, são direcionadas para atender um grupo específico ou para atender a população em geral.

Sendo assim, se o governo de uma cidade cria uma lei específica para o trânsito ou se aprova o aumento salarial dos servidores públicos ou mesmo determina por lei que determinado grupo tem direito a pagar 50% do valor no transporte público, todas essas ações são políticas públicas.

Formas de governo

Uma nação pode ser governada de diferentes maneiras, por isso que os diferentes mecanismos institucionais que são utilizados para se governar um Estado são chamados de formas de governo. As duas formas de governo em vigência atualmente no mundo são a República e a Monarquia. Uma terceira opção seria a Anarquia, que consiste na ausência de forma de governo ou ausência de Estado.

Dentro das formas de governo, estão os regimes políticos, isto é, a maneira como os governos exercem o seu poder. Existem diversos regimes políticos, como a democracia, o autoritarismo e o totalitarismo.

Partidos políticos

Quando nos referimos à política, uma das primeiras coisas que nos veem a mente são os partidos políticos, isto é, as entidades que agrupam políticos em torno de uma mesma ideologia e procuram lançar candidatos para tentar elegê-los aos diferentes cargos políticos que existem. A ideia atual que temos de partidos políticos nasceu na Inglaterra durante a Idade Moderna.

No século XVII, houve grandes transformações na Inglaterra, como a consolidação de uma monarquia constitucional no país por meio da Revolução Gloriosa. Todo esse processo político que a Inglaterra viveu nesse período contribuiu para o fortalecimento do Parlamento inglês com a atuação de dois grupos políticos: os whigs (liberais) e os tories (conservadores).

No final do século XVIII, a França também viu o fortalecimento dos grupos políticos que surgiram durante os anos da Revolução Francesa: os girondinos e jacobinos. Essa estrutura partidária que surgiu na Europa gradativamente a partir do século XVII só ganhou estrutura e status de entidade política profissional a partir do século XIX.

No caso do Brasil, os primeiros partidos políticos remontam ao século XIX e ao período monárquico. Ao longo desse período, destacou-se a atuação do Partido Liberal e do Conservador. Atualmente, a importância dos partidos políticos é tão grande que a legislação brasileira não permite que uma pessoa concorra a um cargo político sem estar devidamente filiada a um partido político.

Acesse também: Conheça a história dos partidos políticos nos EUA

História política do Brasil

A história política do Brasil é recheada de acontecimentos marcantes e, naturalmente, possui características distintas de acordo com a fase histórica de nosso país.

No caso do período monárquico, como citado, a estrutura política e partidária do Brasil girava em torno de dois partidos políticos: o Liberal e o Conservador. Os dois partidos possuíam leves divergências de ideologia, mas uma pauta dividia a política brasileira naquele momento: a questão federalista. Havia um grande debate em torno da autonomia ou não das províncias brasileiras e do poder centralizado ou não do imperador.

Além disso, a participação na política era limitada a um grupo muito pequeno. Uma lei de 1880 reduziu mais ainda o grupo de pessoas que poderiam participar da política no Brasil. Essa foi a Lei Saraiva, que decretou que o voto passaria a ser direto (antes o voto era indireto) e que teriam direito a votar os homens com renda superior a 200 mil réis anuais que fossem capazes de assinar o documento de alistamento militar.

No período republicano, mudanças no nosso sistema político foram acontecendo de forma muito gradativa. No que se refere à Primeira República, os destaques da política nacional foram a Política do Café com Leite, que era a prática de revezamento existente entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, e a Política dos Estados, uma rede de troca de favores. Também se destacaram as eleições fraudadas desse período.

Na Era Vargas, mudanças importantes aconteceram. O Código Eleitoral instituído em 1932 estabeleceu o voto secreto, concedeu o sufrágio universal feminino, tornou o voto obrigatório e criou instituições que futuramente atuariam de forma independente para garantir a legitimidade das eleições realizadas no país.

Na Quarta República, o Brasil teve a sua primeira experiência de fato democrática. As eleições não eram fraudadas, e a aproximação do eleitor com os partidos políticos foi notória. Essa consolidação democrática e da vida político-partidária em nosso país foi interrompida pelo Golpe de 1964 e pela Ditadura Militar, que impôs inúmeras restrições aos direitos políticos dos cidadãos brasileiros.

Após a ditadura, iniciou-se a Nova República, um período abertamente democrático em que o nosso sistema político foi construído em torno da Constituição de 1988. O Brasil é atualmente uma república presidencialista, e as eleições presidenciais acontecem a cada quatro anos com o presidente eleito tendo direito a disputar uma única reeleição.

 

Por Daniel Neves
Graduado em História



Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/politica

 

terça-feira, 25 de outubro de 2022

A relação entre filosofia e cristianismo para Justino, o Mártir

 


A relação entre filosofia e cristianismo para Justino se dá com a compreensão da existência da revelação desde a origem do gênero humano.

Padres apologistas

A filosofia encontra-se com o cristianismo quando os cristãos tomam posição em relação a ela. Nos séculos XII e XIII, a oposição entre os termos “philosophi” e “sancti” representa duas visões de mundo consideradas antagônicas: a visão de mundo pagã e aquela proclamada segundo a fé cristã.

Os chamados Padres Apologistas foram aqueles cristãos que, a partir do século II d.C. escreveram, em diálogo com a Filosofia, defesas da sua fé a fim de obter o reconhecimento legal para ela diante do Império.

A obra de Justino, Mártir, foi inserida nesse período. São duas Apologias e um Diálogo com Trifão. A primeira Apologia, escrita por volta do ano de 150 d.C., foi escrita para o imperador Adriano. A segunda, para o imperador Marco Aurélio. É em seu “Diálogo” que ele nos relata sua trajetória, da filosofia com motivação religiosa à religião com perspectiva filosófica: nascido em Flávia Neápolis, seus pais eram pagãos. A busca pela verdade o conduziu ao estudo da filosofia e sua conversão ao cristianismo ocorreu provavelmente antes de 132.

Primeiro, Justino se aproximou dos estoicos, mas os recusou por terem lhe dito que não era importante conhecer a Deus. Depois de se encontrar com um “filósofo profissional”, um mestre que cobrava por seus ensinamentos, Justino procurou um mestre pitagórico, mas se afastou dele por não querer dispor seu tempo para o estudo da música, da geometria e da astronomia. Encontrou afinidade com discípulos de Platão, que atendiam sua necessidade de pensar sobre as coisas corpóreas, mas também além delas, as ideias.

O encontro com o cristianismo se deu por meio de um ancião que conheceu durante um retiro. Ao ser questionado por ele a respeito de Deus, Justino tentou se valer das teorias de Platão. O ancião, então, esboçou uma refutação que, apesar de parecer simples, demonstrou a separação entre platonismo e cristianismo: a alma, segundo o cristianismo, é imortal porque Deus quer que ela seja.

Justino então leu o Antigo e o Novo Testamento. Ele nos diz: “Refletindo eu mesmo sobre todas aquelas palavras, descobri que essa filosofia era a única proveitosa”. Percebemos que Justino considerava o cristianismo como uma filosofia, mesmo sendo uma doutrina baseada na fé em uma revelação.

Essa revelação é anterior ao Cristo – é a tese que Justino defende em sua Primeira Apologia, baseado no conceito de “Verbo divino” do evangelho de João, e em sua Segunda Apologia, baseado no termo “razão seminal” do estoicismo: as pessoas que nasceram antes do Cristo participavam do Verbo antes dele se fazer carne; todos os humanos receberam dele uma parcela e, por isso, independente da fé que professavam, se viveram em conformidade com o ensinamento do Cristo, poderiam ser referidos como cristãos, mesmo que Cristo ainda não tivesse nascido. Em vez de ser o marco de “início” da revelação divina, Cristo seria seu ápice.

Desse modo, Justino resolveu dois problemas teóricos: 1) Se Deus revelou sua verdade apenas por Cristo, como seriam julgados aqueles que viveram antes dele? 2) Como conciliar a filosofia antes de Cristo, e, portanto, ignorante da verdade revelada, e o cristianismo?

Como, segundo defende Justino, os homens podiam agir de forma “cristã” antes do nascimento de Cristo, agiam em conformidade com o Verbo. Se agiam em conformidade com o Verbo, aquilo que disseram e pensaram podia ser apropriado pelo pensamento dos cristãos. É a esse respeito que Justino diz em sua Segunda Apologia (cap. XIII): “Tudo o que foi dito de verdadeiro é nosso”.

Se o pensamento de Heráclito, por exemplo, é considerado oposto ao pensamento cristão, o pensamento de Sócrates é considerado “parcialmente cristão”: ao agir em conformidade com a razão (Logos), esta é uma participação do Verbo; Sócrates (e também os demais filósofos que pensaram “o verdadeiro”) praticou uma filosofia que era o germe da revelação cristã.

O Logos

De Fílon de Alexandria, Justino apropriou-se do conceito de “Logos” para estabelecer uma relação entre o “Logos-Filho” e o “Deus-Pai”. Vejamos o que ele diz:

“Como princípio, antes de todas as criaturas, Deus gerou de si mesmo certa potência racional (Loghiké), que o Espirito Santo chama ora 'Glória do Senhor', ora 'Sabedoria', ora 'Anjo', 'Deus', 'Senhor' e Logos (= Verbo, Palavra) (...) e porta todos os nomes, porque cumpre a vontade do Pai e nasceu da vontade do Pai*”.

Ou seja, entendemos aqui que Justino diz que o Cristo é a palavra proferida de Deus e pode ser denominado de diversas formas porque ele “porta todos os nomes”. A seguir, Justino faz uma comparação entre o Logos, no sentido acima, correspondente a verbo, e a fala humana para defender a possibilidade da coexistência de Deus-Pai e Logos-Filho:

“E, assim, vemos que algumas coisas acontecem entre nós: proferindo uma palavra (= logos, verbum), nós geramos uma palavra (logos), mas, no entanto, não ocorre uma divisão e uma diminuição do logos (= palavra, pensamento) que está dentro de nós*”.

O que Justino diz aqui é que, da mesma forma que quando nós dissemos uma palavra, o ato de falar não esgota nossa possibilidade de falar no futuro, ou diminui o número de palavras existentes, da mesma forma Deus-Pai ao pronunciar o “Verbo”, ou seja, com o nascimento de Cristo, isso em nada esgota ou diminuiu a sua divindade e onipotência. Outro exemplo que Justino nos oferece é o do Fogo:

“E assim vemos também que, de um fogo, acende-se outro fogo sem que o fogo que acende seja diminuído: este permanece igual e o novo fogo que se acendeu subsiste sem diminuir aquele do qua1 se acendeu*”.

A importância de Justino

Embora não tenha deixado uma filosofia sistemática, nem uma teologia cristã, temos ecos da obra de Justino em muitos pensadores cristãos posteriores. Sua obra não faz exposições gerais a respeito de teorias, nem as discute profundamente, nem pretende desenvolver concepções filosóficas. Justino, ao contrário disso, passa por pontos importantes da fé cristã que considera passíveis de justificativa.

Sua importância se dá pela novidade de interpretar a revelação cristã como o ápice de uma revelação que existe desde a origem do gênero humano. Assim como sua obra, sua morte foi também afinada com a sua fé: foi decapitado em 165, condenado pelo prefeito de Roma por se declarar cristão.

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As citações de Justino foram retiradas do Diálogo com Trifão p. 61-62. Retirado de: 
Padres apostólicos y apologistas griegos, Daniel Ruiz Bueno (BAC 116), Pág. 409-412.
Padres apostólicos y apologistas griegos (S. II). Organização: Daniel Ruiz Bueno, Biblioteca de Autores Cristianos, 1ª edição, 2002.


Por Wigvan Pereira
Graduado em Filosofia



Fonte: Brasil Escola - https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-relacao-entre-filosofia-cristianismo-para-justino-martir.htm

 

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Deus quer que saibamos buscá-Lo no amor e na fé

 


Oração é busca de Deus. Porém, nem sempre é fácil encontrá-Lo ou reconhecê-Lo entre nós. Deus entra na nossa história e mistura-se conosco. O Verbo se fez carne de forma muito humilde, simples e pobre, totalmente despretensiosa. Enquanto as filhas dos nobres preparavam seus castelos para receber o Messias, Ele preferiu nascer pobre, num estábulo, desprovido da exuberância e do perfume do palácio dos reis. Assim foi, e, embora muitos judeus esperassem grandes manifestações na vinda do Messias, Ele veio discreto e silenciosamente.

Às vezes, não encontramos Deus porque Ele não se revela como gostaríamos. Ele exige de nós uma total purificação do nosso ser. Precisamos nos esvaziar para sermos preenchidos pela Sua força. A exigência da oração é o total desapego, e somente assim somos inundados por aquela luz especial que possuem apenas os que procuram o rosto de Deus “com ânsias de amor inflamado”: “Tua face, Senhor, eu busco. Não me escondas o teu rosto!”.

Minha experiência pessoal revela – e os outros confirmam –, que o encontro com Deus não é estático, mas dinâmico, por isso mesmo, sempre novo. Quando pensamos que o encontramos e “agarramos”, Ele “escapa”, esconde-se e nos deixa num profundo sentido de desolação. É o caminho da noite que precisamos aprender a trilhar silenciosamente e a sós, esperando que o Senhor apareça novamente quando lhe aprouver. A nós cabe gritar e procurar, a Ele cabe responder. A saudade de Deus é uma doença tão forte, que somente se cura “com Sua presença e figura”.

Saber esperar

Atualmente, não sabemos esperar. O mundo da tecnologia gera a impaciência. Queremos que tudo seja “para ontem”, esquecemos que existe também o amanhã. O saber esperar é uma atitude bíblica. No caminho da oração, saber esperar o momento de Deus quer dizer que Ele nos visita quando menos esperamos e que a nós cabe a vigilância, como virtude de quem sabe que, mais cedo ou mais tarde, Ele virá nos visitar.

Na escola dos profetas e místicos, aprendemos a virtude da esperança. As demoras de Deus são pedagógicas. O orante é, antes de mais nada, homem e mulher de esperança, que não se cansa de bater até que a porta se abra, nem de procurar até que encontre, nem de pedir até que obtenha o que mais deseja.

Esperar é lançar os olhos além de todos os pequenos horizontes da vida e crer que o Senhor da história nos prova, mas não nos abandona. Ele quer que o procuremos com a intensidade da esposa que busca o seu esposo, como os olhos dos servos que esperam tudo do seu Senhor. O salmista anima: “Coragem! Espera no Senhor!” (Sl 26). Nessa coragem, são superados os medos e as incertezas da fé. A esperança é alimentada pelo amor. Só espera quem tem fé e quem ama. A vivência das virtudes teologais se faz indispensável para quem quer se tornar um orante. Deus não se deixa manipular pelos nossos sentimentos ou exigências humanas; Ele sabe como e quando vir em nosso socorro.

Ir a Jerusalém

A Palavra de Deus sempre nos ensina o caminho da oração. Na vivência da Palavra e na sua meditação, encontramos o caminho que devemos seguir para encontrar o Senhor. O texto de Lucas 2,41-50 ajuda-me na busca de Deus. Sempre encontro o Senhor em Jerusalém, na “cidade santa”, que não fica em determinado lugar, mas no coração de cada um de nós.

Somos a nova Jerusalém, para onde devemos ir todos os dias para estar com o Senhor. Ir a Jerusalém quer dizer que é preciso desinstalar-se, sair de si, romper com todas as formas de comodismo e, sem medo, enfrentar todas as dificuldades que podem estar no caminho. Quem se coloca a caminho é movido por um forte ideal. Orar é “subir a Jerusalém”, tomar uma “determinada determinação”, saber que “vida cômoda e oração não podem combinar”, que somente o amor pode nos convencer a deixar a vida tranquila do nosso dia a dia e procurar o Senhor que nos espera para nos amar.

Maria, José e Jesus, todos os anos, deixavam a tranquilidade de sua casa, em Nazaré, enfrentavam as dificuldades do caminho, pobreza, cansaço, para irem a Jerusalém prestar a adoração devida ao Senhor. Um caminho que tem o sabor do êxodo, carregado, sem dúvida, de dor e cruz. Mas eles sabiam que, no Templo de Jerusalém, o Senhor os esperava. A leitura silenciosa e meditativa deste texto nos faz compreender como deve ser o caminho da nossa oração.

Jesus, aos doze anos, no Templo

“Todos os anos, na festa da Páscoa, Seus pais iam a Jerusalém. Quando Ele completou doze anos, subiram a Jerusalém segundo o costume da festa. Acabados os dias de festa, quando voltaram, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e o procuraram entre os parentes e conhecidos. Não O achando, voltaram a Jerusalém à procura d’Ele. Três dias depois, encontraram-nO no Templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo e fazendo perguntas. Todos que O escutavam maravilhavam-se de Sua inteligência e de Suas respostas.

Quando O viram, ficaram admirados; e Sua Mãe Lhe disse: “Filho, por que agiste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, te procurávamos”. Ele respondeu-lhes: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa do meu Pai?”. Eles não entenderam o que lhes dizia. Depois, desceu com eles e foi para Nazaré, e lhes era submisso. Sua Mãe conservava a lembrança de tudo isso no coração. Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e das pessoas”. Passados os dias da Páscoa, voltaram.

Coloquemos em evidência alguns aspectos concretos para a nossa vida de oração

A oração é um momento de alegria, de Páscoa, de festa, mas não pode durar para sempre. Deus nos chama à intimidade com Ele, convida-nos a subir a montanha para experimentarmos Sua presença, ou ao deserto, porque quer falar ao nosso coração no amor e na solidão, ou nos desperta na noite para dialogar conosco e nos apresentar Seus projetos. Mas, depois desses momentos de intimidade, Ele quer que voltemos às nossas atividades e sejamos testemunhas autênticas do Seu amor.

A fidelidade e firmeza do orante não se provam enquanto ele está orando, mas no cotidiano da vida. É sua maneira de agir, de falar, de ser que torna visível sua amizade com Deus. É interessante como, na Bíblia, temos sempre essa atitude da intimidade com Deus, que dá forças para voltarmos aos nossos compromissos humanos. Cada vez mais compreendo que entre oração e ação, entre contemplação e atividade não pode existir “divórcio nem desquite”, mas, ao contrário, uma profunda união. Na oração, revela-se a nossa atividade, e na atividade se manifesta a autenticidade da nossa oração.

Maria, José e Jesus não ficaram para sempre no Templo. Depois da festa da Páscoa, puseram-se novamente a caminho. Assim, depois de nossos momentos de oração, de retiro e encontro, devemos voltar ao trabalho. Toda Páscoa, que é domingo, devolve-nos à “segunda-feira”, que é trabalho e labuta onde devemos procurar ser fermento e ganhar o pão com o suor da nossa fronte.

O Menino ficou em Jerusalém “sem que os Seus O notassem”

Essa expressão de Lucas pode nos ajudar a entender como, embora voltando ao trabalho, devemos permanecer unidos ao Senhor na oração. A intimidade, a vida na presença de Deus nunca pode ser interrompida. Quer comamos, bebamos ou façamos outras coisas, sempre devemos agir em Deus.

Maria e José retomaram o caminho de volta, quem sabe preocupados com os afazeres que os esperavam em Nazaré, mas Jesus permaneceu em Jerusalém. Nunca devemos “sair” do clima de contemplação e intimidade. Deus quer que estejamos, constantemente, unidos a Ele, que não nos separemos do Seu amor nem da Sua presença. Essa linguagem bíblica nos compromete à vivência sempre em plena sintonia com o Deus da vida. Os místicos e santos sempre nos recordam disso. João evangelista, quando diz que “Deus é amor”, convida-nos a permanecermos n’Ele, porque Ele sempre permanece em nós.

Maria e José não se preocuparam com Jesus. Pensavam que Ele estivesse com os outros, na caravana que voltava feliz e cantando de Jerusalém. A Páscoa cria um novo clima de fraternidade, “caminharam um dia inteiro” despreocupados. Mas, ao entardecer, sentem a necessidade de se unirem novamente a Jesus. Também nós passamos o dia inteiro preocupados com tantas coisas, mas, ao cair da noite, sentimos a necessidade de buscar novamente o Senhor para estar com Ele, para entrar em comunhão, para experimentar, numa forma mais forte, a presença do Amado, como fizeram Maria e José, mas nem sempre O encontramos.

Não O tendo encontrado…

A dor da decepção é sempre muito grande. Essa dor foi experimentada por Maria e José que, buscando Jesus, não O encontram entre os amigos e parentes. Se eles, que cuidavam tanto de Jesus, estavam sempre presentes em tudo aos desejos e ao cuidado de Jesus, perderam-nO de vista, tanto mais isso pode acontecer com cada um de nós. Podemos buscar Jesus e não O encontrar, pedir que outros nos ajudem e ninguém saber nos ajudar. Podemos viver momentos de desnorteamento nesta procura de Jesus. A experiência humana da nossa fragilidade nos faz sentir impotentes e tristes. Nem sempre encontramos Jesus onde “esperamos que Ele esteja”. Mas, graças a esta perda de Jesus, a Bíblia nos oferece o segredo onde devemos voltar a encontrá-Lo, onde Ele sempre nos espera.

Voltaram a Jerusalém

Aqui está o verdadeiro segredo da oração: voltar a Jerusalém. Se nos acontecer, depois de um dia de viagem, de “perdermos Jesus”, não devemos nos desesperar. Devemos pedir a todos que nos ajudem a encontrar novamente o Senhor.

Se, no entanto, as criaturas forem incapazes de nos dizer onde está o Senhor, resta-nos o caminho de volta para Jerusalém, para o santuário, para o lugar onde o Senhor nos espera. E onde está Jerusalém? No nosso coração, na Palavra de Deus, na Igreja… Deus jamais desiste de nós, mesmo quando não O sentimos.

Voltemos a Jerusalém, onde o Senhor nos espera sempre para novamente entrarmos em comunhão conosco! Ele quer que saibamos buscá-lo no amor e na fé. Quando o encontramos, Ele desce conosco para Nazaré, para a vida, e permanece conosco para sempre.

Frei Patrício Sciadini, OCD

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/deus-quer-que-saibamos-busca-lo-no-amor-e-na-fe/


segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Na escola da oração: Jesus é o modelo



Jesus é o grande orante, e só podemos seguir o Senhor sendo orantes como Ele.

Um dia, Jesus estava orando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos lhe pediu: “Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou a seus discípulos”. 36

Fica claro, nessa passagem, que Jesus parava para rezar. E nós só aprendemos a rezar estando com Jesus, por isso seus discípulos vão pedir para que Ele os ensine. Em seguida, Ele ensina a oração do Pai-nosso. É a oração de Jesus que desperta no discípulo o desejo pela oração. Assim, nós podemos participar da oração d’Ele.

Jesus nos ensina a orar, pois é a oração que nos aproxima d’Ele

A oração que o Senhor ensina nos permite ter um acesso ao Pai como Ele sempre teve. Jesus tinha uma relação pessoal e absoluta com o Pai. Como Ele nos ensinou a rezar, podemos também acolher essa relação. A oração implica relação filial.

Através da oração que o Senhor nos ensina, abre-se um caminho de conversão e verdade, pois a verdadeira oração nos abre à verdade e deve brotar da verdade.

A oração que Jesus nos ensinou nos põe na presença do Pai e deve gerar confiança em quem reza.

Quem reza precisa pedir ao Senhor que o ensine a orar, pedindo a graça e a luz para conseguir penetrar os segredos da oração, a fim de que consiga levar uma vida cristã autêntica e verdadeira. “Todas as coisas têm por fim a oração” (São Francisco de Sales).

O que é a escola da oração?

A escola de oração diz de aprendizado, ou seja, para rezar é preciso aprender. Todos os dias, precisamos aprender uma nova lição da oração; não é algo acabado. Nessa escola, Jesus é o Mestre que nos ensina a rezar.37 N’Ele, temos uma oração livre, verdadeira e autêntica. Ele sempre será o modelo e mestre.

Precisamos entrar na escola de Jesus, que é uma escola de oração. Jesus sempre teve um diálogo íntimo e constante com o Pai; a oração gera em nós esse diálogo íntimo e comunhão profunda.

Nessa escola de oração, não podemos esquecer que o homem precisa tomar consciência de si mesmo e de Deus. Quem reza precisa ser dependente de Deus, precisa entender quem é Deus e quem é o homem, além de saber qual o lugar de Deus na oração e o lugar de quem reza. Nesse sentido, podemos destacar três grandes personagens bíblicos que nos ajudam a entender o verdadeiro sentido da oração, de se colocar diante de Deus nessa escola de oração. Queremos olhar para a oração de Tobias,38 Judite39 e Ester40 como um modelo a ser seguido.

Eles confiaram na intervenção de Deus, mesmo tendo uma angústia ou aflição que os invadiam; eles não se desesperaram, mas rezaram e se colocaram na presença de Deus. O primeiro ponto é colocar-se na presença de Deus, reconhecer quem é Deus, os seus feitos, a sua ação na História, e como o Senhor se manifestou. Trata-se de reconhecer a identidade de Deus: O Senhor, Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, que conserva a misericórdia por mil gerações e perdoa culpas, rebeldias e pecados, mas não deixa nada impune…41

Em seguida, eles se reconheceram como pecadores, como infiéis e dependentes de Deus. Olharam para sua condição de fraqueza, seus pecados e até onde haviam chegado por não observarem os mandamentos.

E para concluir, na oração eles pediam a intervenção poderosa de Deus diante da situação: “[…] ouve a minha súplica [… ]”,42 “agora, vem em auxilio a esta órfã […] e a nós, livra-nos das mãos dos nossos inimigos; converte o nosso luto em alegria e as nossas dores em salvação”.43

E rezamos por quê?

Porque nos interrogamos sobre nossa existência, porque queremos respostas, porque nos sentimos solitários e abandonados, porque nos sentimos encurralados pelo dilema entre bem e mal, pelo sofrimento e desespero, e isso nos impulsiona a buscar a Deus como solução definitiva, concreta; rezamos a fim de obter força interior para vencermos. Rezamos porque queremos ser íntimos e amigos de Deus. Rezamos porque queremos ter acesso à vida de Deus. O socorro sempre virá via oração.

Rezar nunca será fácil, pois requer um mover do homem em direção ao sobrenatural; e além de tudo, é um dom de Deus. Precisamos ter posição de gratuidade e gratidão, de dependência e humildade.

Na oração, o homem tem a possibilidade de abrir o coração de Deus. O dom da oração nos leva à conversão. Na oração, o Senhor nos revela quem somos e o que precisamos ser. Deus sempre dá o primeiro passo em direção ao homem em oração, porque Ele o ama.44

O homem não deve orar por orar, mas querendo ser ouvido. Não para ouvir a si mesmo, mas para que Deus lhe responda. Não para querer a resposta que brota do seu coração, e sim a resposta de Deus para a situação. A melhor resposta da oração é aquela que Deus dá.

Qual é a melhor oração?

A melhor oração é aquela em que o homem esquece de si mesmo e foca em Deus, mesmo que seu coração queira muitas respostas. Deus sempre será o começo, o meio e o fim de toda oração.

O Senhor nos faz a recomendação de orar sempre.45 Isso significa que precisamos viver em estado de oração como Ele. Com isso, a nossa vida deve ser toda permeada pela oração, em sintonia com Deus. Que façamos da nossa vida uma oração: ações, gestos, palavras etc. Façamos tudo em Deus, com Deus e para Deus.

Jesus não perdia tempo. Para o bom rendimento de sua missão e vida, Ele aproveitava todas as oportunidades para estar em oração.

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/na-escola-da-oracao-jesus-e-o-modelo/

 

 

Feliz Ano Novo!

 É hora de receber o  Ano Novo  com alegria e esperança no coração. De deixar o ruim no passado, e abraçar o futuro com otimismo. Vamos faze...